19.6.11

"Quatro pernas bom, duas pernas ruim"

O que é o preconceito senão a pretensa cura para a própria baixa auto-estima? Diminui-se a importância do outro para que, em proporção, possa parecer maior, mais forte, mais privilegiado. Demoniza-se o diferente para que não haja pena em negar-lhes direitos, em solapar-lhes a liberdade. Compensam a própria impotência em se equiparar com os avatares que sua mente classifica como superiores através da subjugação do alheio, da criação e da manutenção de classes, de classificações, de ordenação e de prioridade. O preconceito contra mulheres, homoafetivos (se bem que Davi e Jônatas eram bem mais que amigos, a despeito dos malabarismos semânticos que tem que fazer para abafarem o caso. Leiam 2 Samuel 1:26), escravos (consequentemente no caso ocidental, historicamente extendido aos negros), todos eles encontram respaldo na Bíblia, cuja matriz é escandalosamente patriarcal, misógina e impositora. Desde seus rabiscos iniciais, inventaram regras cuja única pretensa qualidade é ter convenientemente sobrevivido ao tempo. Se foi inspirada, como alguns dizem, a musa dessa paródia de sabedoria é o medo.

Medo de não ser aceito, de não ser bom o bastante, perfeito o bastante. Medo de ser confrontado, daí doutrinam crianças, pois estas não tem ainda o bom-senso treinado para saber distinguir o certo do errado, para que possam espalhar a semente e sua corrente não seja esquecida. E repetem seu mantra "quatro pernas bom, duas pernas ruim", certo que suas vozes são um coro numeroso, balidas em uníssono. Nas palavras do Maldito: "Criou-se uma situação realmente trágica: ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina."

4 comentários:

Marciel disse...

A colocação do "A revolução dos Bichos" (Animal Farm em inglês) foi acertadíssima, mas tem outra peça também bem importante no que tange a religião.

Se a loucura e a paranoia das pessoas tivesse algo de verdadeiro, Deus seria o "grande irmão".

♫ √¡ห¡c¡uร ♫ disse...

Enquanto lia “A Revolução dos bichos” projetou-se em minha mente o comportamento de pessoas que não aceitam a diferença existente no mundo, mas que não tem nada a dizer para justificar seu preconceito, religiosos fanáticos são a representação perfeita das ovelhas.
"Orwell seja louvado!"

Salvo pelo Pombo disse...

Hoje vi no mural do Facebook de um amigo a seguinte afirmação: "O mesmo poder que Deus têm de te dar algo, ele também têm de tirar, quando não reconhecer que foi ele quem te deu"
Só fico pensando... que raça de droga foi essa que ele usou? Eu quero metade dessa parada!... quero ver esse "Deus" que me dá e depois me toma... Assim sendo, ele nunca me deu nada, apenas deixou sob meu depósito. Ou seja, por vontade desse suposto "Deus" eu nunca terei nada nessa vida... Tô fud@#$%!! Até quando as pessoas vão continuar a iludir-se com historinhas baratas de alguns charlatões? Para mim, se a Bíblia prova a existência de Deus, as histórias em quadrinhos provam a existência do Super Homem... Tenha dó ou pelo menos um pouco de bom senso!!!

Eduardo Vieira disse...

A todo momento se vê coisas (em qualquer lugar onde haja oportunidade de possuir o poder) como o que o porquinho Garganta fazia: de noite ia - com um pincel, uma lata de tinta e uma lanterna - até a parede do fundo do grande celeiro. Os animais, como não sabiam ler muito bem (nem tinham memória boa) não notavam a diferença do que estava escrito ali. A moral da historia é simples e objetiva: "Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros".