12.2.11

Das certezas e incertezas

Depois de passar em breve revista vários tópicos e galerias de comentários em diversos blogs e fórums, percebi um padrão comportamental bem interessante.

Religiosos são os primeiros a levantar a bandeira da ciência quando lhes favorece e a desacredita quando não os favorece. A história da urna de ossos com a inscrição "Tiago, filho de José, irmão de Jesus" é levantada com frequência como evidência da existência de Jesus, assim como a complexidade irredutível tenta se agarrar nas lacunas para promover o design inteligente. À propósito, ambas desmontadas aqui e aqui. Ainda no terreno da hipocrisia, cristãos creem no literalismo da Bíblia quando lhes convém, mas resguardam-se atrás da cautelosa contextualização e da interpretação covarde nas partes mais escabrosas do livro. Leia a 7, 34 e a 47 dessa pequena lista de erros criacionistas para melhor entender.

Mas o pior é que "o lado de cá" da balança, ateus e agnósticos, se apegam com excesso de zelo em rotulações, quando ambos apenas são variações do ângulo pelo qual se foca o ceticismo em relação à crença religiosa. Quando religiosos não fazem distinção entre ambos fazem melhor do que ateus e agnósticos discutem qual dos dois pontos de vista é superior ao outro.

Já que falo em prontidão contra o equívoco, o ceticismo da grande maioria é seletivo. Aposto que tem muito ateu que se diz cético mas que acredita em determinados partidos políticos e vota com a manada nas eleições sem nem ao menos se interessar em fazer uma análise lúcida do momento. Da mesma forma muito religiosos que acreditam em coisas que nem em Salt Lake City recebem algum crédito, mas devem ser hiper-criteriosos ao comprar um carro usado e raramente fazem mau negócio após uma inspeção minuciosa. Pro nosso bem espero que não existam pessoas 100% céticas nem 100% crédulas (se tais existem, são chatos intragáveis e idiotas completos, nessa ordem), apenas céticas onde aprenderam a ser.

Conclusão: ambos, religiosos e não-religiosos conseguem ser escrotamente arrogantes em suas certezas. As dúvidas geram debates, mas certezas batem boca como ninguém.

Um comentário:

Pagotti disse...

O processo de "iluminação", se é que posso usar esse termo, deveria trazer para qualquer pessoa, tanto religiosa como cética a capacidade de entender o caminho que está trilhando e não interferir no caminho que os outros estão fazendo.
É como em uma corrida. Deveríamos nos preocupar em vencer com nossas próprias habilidades e não em tirar os competidores da estrada.