14.5.10

Sam Harris: A ciência pode responder questões morais

A ciência, ou melhor, o método científico, versa sobre a compreensão empírica do universo, sobre relações quantificáveis entre forças, matérias e tudo o mais que compõe nosso ambiente. Desde o nanocosmo das subpartículas, o microcosmo da vida unicelular, passando por nossa realidade média perceptível aos sentidos até chegar ao macrocosmo das estrelas, ela é, e acho que posso cometer esse superlativo, nossa melhor ferramenta para compreensão do que nos cerca. E mesmo toda ciência sistematicamente acumulada nesse poucos séculos, parafraseando Einstein "comparada com a realidade, é primitiva e infantil — e, no entanto, é a coisa mais preciosa que temos".

Retirando aqueles poucos que preferem o primitivismo literal (mas que continuam a usar seus benefícios e repudiando seus métodos), mesmo entre os mais moderados, há quem diga que ela sozinha, embora tenha uma enorme capacidade de explicação e de autocorreção, ela é incapaz de fazer uma coisa: juízo de moral. Que dentro de seu escopo de conhecimento, a ciência não pode responder a questões como: O que é bom e o que é mal? Pelo que vale a pena viver? Pelo que vale a pena morrer? O que é uma boa vida? Quais são os parâmetros do altruísmo? A que valor maior devemos nossas escolhas e arbítrio? Seria a ciência capaz de fazer escolhas morais? Uma sociedade sem religião poderia ser possível se apararmos as arestas certas nos fazendo as perguntas certas? Se empregarmos o método científico de forma que posicionamentos culturais relativistas possam dar lugar a uma conclusão empírica baseada na mesma tomada de decisões que que a ciência faz uso?



Aproveito para recomendar a quem não conhece o TED , uma iniciativa de levar palestras sobre Tecnologia, Entretenimento e Design (daí a sigla), para o mundo inteiro visando busca de patrocinadores para pesquisas e desenvolvimento da cultura humana nas mais diversas áreas. Há vídeos legendados e o português-Brasil é a segunda língua em número de Talks traduzidos, perdendo por muito pouco para o espanhol.

3 comentários:

Gizelli Sousa disse...

porramô cadê os posts?

Emeron Rauth disse...

Abraço e valeu a força!!!!!

Rogerio disse...

Hoje, graças a Deus, a sociedade ocidental alcançou um ambiente de liberdade de escolha. Eu até poderia aceitar que o método científico pudesse responder às questões morais, mas, de experiência própria, vejo tantas trapalhadas dos chamados cientistas das área de humanas que fico ressabiado. Quando a Ciência entra no imponderável, no que não pode ser checado, avaliado e testado, melhor deixar para a Filosofia, que é um campo aberto. E é claro que o método científico já atua nas questões morais. A palavra oficial sobre sexualidade, por exemplo, é hoje da Psicologia. Enfim, trabalhar as questões morais à luz (ou sombra) do método científico vai criar apenas mais um nicho de fé para os ateus e céticos, como os nichos religiosos que existem. E, pensando bem, eu, que sou religioso, vou poder ser um cético!