12.2.09

Charles Darwin

Hoje, dia 12 de fevereiro, comemora-se o aniversário daquele que pôs a segunda grande laje de pedra sobre o túmulo do cadáver insepulto do criacionismo. Nascia em Shresbury em 1809 Charles Darwin, naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural. Esta teoria se desenvolveu no que é agora considerado o paradigma central para explicação de diversos fenômenos na biologia, desbancando deus, pelo menos para aqueles com visão materialista, do cargo de explicação única para a variedade de vida encontrada em nosso planeta.

Segue abaixo um recorte de um artigo publicado na ATEA, Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, sobre a proposta de criação do Dia do Orgulho Ateu e Agnóstico (nome ainda em discussão), e de como a ONG pretende torná-lo popular na mídia.

É um costume antigo escolhermos um dia do ano para celebrar aquilo que achamos importante. Além das datas de eventos históricos relevantes, existe um extenso calendário de dias com motivos religiosos, além de datas cívicas e comerciais para lembrar pessoas, profissões, atividades e idéias. Como resultado, todos os dias do calendário têm coisas a serem comemoradas, com graus de mérito bastante variáveis.

Reconhecendo esse fato, grupos minoritários há muito vêm lançando datas para marcar sua luta pela igualdade e pelo respeito, e contra o preconceito e a discriminação, como é o caso do dia da Consciência Negra e o dia do Orgulho Gay. À peimeira vista, a palavra orgulho pode parecer fora de contexto, mas ela é uma tradição sólida entre as minorias, ao menos desde que se começou usar a expressão black pride (orgulho negro) nos Estados Unidos, há mais de quarenta anos. A ela se associou um dos slogans fortes da época, "I'm black and I'm proud" (sou negro e tenho orgulho disso), eternizada em 1968 pela homônima canção de James Brown.

Nesse contexto, falar em orgulho não é uma maneira de se dizer superior, apenas uma maneira de afirmar que não somos inferiores. Falar em orgulho é importante quando existe uma idéia socialmente difundida de que a sua identidade é intrinsecamente negativa e deve ser motivo de vergonha. Esse é o caso dos negros, é o caso dos homossexuais, e também o caso dos ateus. Falar em "orgulho ateu" é dizer que temos orgulho de sermos quem somos. É dizer que nosso ateísmo é uma parte integrante de nossas posições perante o mundo, e que é uma vergonha que muitos de nós se sintam obrigados a esconder sua identidade para serem plenamente aceitos em seu círculo familiar, social ou profissional. É dizer que os ateus também são cidadãos e merecem, sim, respeito.

Cabe lembrar aqui uma importante distinção entre pessoas e idéias. Muitos ateus entendem que algumas crenças religiosas, ou todas elas, não merecem respeito. E isso é um direito deles. Há idéias que simplesmente não são respeitáveis, como a de que negros são inferiores, ou a de que a Terra é plana -- embora possamos, é claro, discordar de quais idéias exatamente não são respeitáveis. Da mesma maneira, os religiosos podem crer que o ateísmo não é uma posição respeitável, no sentido de que ela não se sustenta, não corresponde à verdade ou coisa similar. Mas isso é coisa muito diversa de dizer que os ateus não merecem respeito, o que é tão errado quanto dizer que os cristãos não merecem respeito.

Já existe uma comunidade no Orkut dedicada ao dia do orgulho ateu, onde se votou por estabelecer o dia do ateu em 12 de fevereiro, aniversário de nascimento de Charles Darwin, o eminente biólogo que deu uma das mais significativas contribuições isoladas ao conhecimento humano, que ao mesmo tempo o impeliu do cristianismo ao agnosticismo. É claro que essa escolha pode ser criticada, e há várias outras opções. Mas isso não importa. Em última análise, a escolha de um dia é perfeitamente arbitrária e qualquer parte do calendário é tão boa quanto as demais.

O importante é trazer o assunto à discussão, na sociedade e na imprensa. É termos um dia para refletirmos e fazermos refletir, para falarmos com amigos e lhes enviarmos mensagens de email, para sair do armário e parar de sentir vergonha, para lembrar que você não está sozinho e que existem pessoas como você lutando por um mundo melhor.

3 comentários:

Rodrigo disse...

Parabéns ateada. =)
Não seria melhor que esse dia fosse no aniversário de alguém que de fato defendeu o ateísmo?

Paula disse...

Concordo com Rodrigo, existiram muitas pessoas que lutavam por essa causa que eram ateus, se colocarem a data de aniversário do Darwin, vai dificultar mais ainda o processo de aceitação do evolucionismo e depois tem o seguinte, ele pode não ter sido ateu mesmo descobrindo que Adão e Eva não existiram.

Born to be Wild disse...

Eu seria capaz de votar na data 1º de abril. Alusão aos fatos tidos como verdade pelas religiões. Por outro lado, seria esse outro motivo para reforçar os ataques sobre a veracidade de nossa posição.

Talvez ainda possa haver outro brainstorm sobre essa data.