7.2.09

As Raízes da Intolerância Religiosa

Aqui no Rio de Janeiro um jornal chamado Extra saiu com um especial na semana retrasada sobre intolerância religiosa, mostrando como umbandistas são alvo de hostilidades por parte sobretudo de evangélicos, algumas vezes perdendo oportunidades de emprego e até tendo a dignidade desprezada. Um dos casos relatados é o de um garoto no colégio que enquanto cultivava suas obrigações religiosas e usava adereços típicos da sua cultura religiosa africana como guia de contas e colar de palha, foi chamado de “filho do capeta” pela professora na frente de todos e encaminhado à direção.

Mais recentemente hove um caso de exemplo de laicidade no poder público que deveria servir de exemplo. O novo presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio, Luiz Zveiter, mandou retirar o crucifixo que estava na sala do Órgão Especial, o que logo revoltou os católicos, mas que agradou espíritas, judeus e até evangélicos (sem contar ateus e agnósticos, não mencionados pela reportagem).


Entre retirada de crucifixos, estátuas de gesso de condomínios, construções de monumentos de cunho religioso e até em escala mais grave a de guerras sangrentas na Faixa de Gaza e Irlanda, reside algo em comum, o estopim cego da religião.

Há um movimento em busca da tolerância entre os praticantes de diferentes religiões, sobretudo no Rio, mas é impossível não notar um certo ar de intransigência, sobretudo no olhar dos adeptos de religiões de matriz abrâmicas como o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. Esse entrave dá-se por causa do monoteísmo radical que os textos sagrados dessas religiões, que oscilam entre não aceitar o direito alheio à diversificação de adoração (e também ao direito alheio de não areditar) ao ódio por aquilo que vai de encontro ao que considera sagrado.

Eu me pergunto se há realmente possibilidade de diálogo entre cristãos e adeptos de qualquer outra religião quando a primeira lei deles começa com “não terás outros deuses além de mim”. E quando os reflexos dessa lei recaem, dependendo da denominação, em apenas um preconceito velado por aquilo que não se acredita até atos extremados como guerras civis, execução de inocentes e tudo o mais que acontece em função de uma crença que é cega quato a justiça deve ser. Ouso dizer que o maior causador de conflitos cegos pelo mundo (excluindo aí variações modernas de expansionismo econômico predatório, esse ao menos tem um propósito concreto, mesmo que escuso) é o monoteísmo, a forma mais insegura e ciumenta que os amigos imaginários podem assumir.

5 comentários:

Rodrigo disse...

Argh, que amontoado de generalizações nonsense.
Se a religião é o principal motivo das guerras na terra santa e na Irlanda, porque os exatos mesmos grupos religiosos vivem em paz no Brasil?
Parabéns por jogar fora todo o conhecimento que nós temos de antropologia, história, economia e política em troca de um preconceito.

Rodrigo Souza disse...

Certamente não estão em guerra, mas estão um pouco longe de viver em paz plena. Lembre-se de como a corrente religiosa majoritária no Brasil encara o candomblé. E como é lugar-comum achar que ateus são incapazes de atos morais.

Voltando, o nosso ambiente cultural não permite ações violentas, embora pontualmente tem se tornado algo até perceptível. Vide casos como um quebra-quebra em um centro espírita feito por jovens de uma igreja evangélica no ano passado.

O problema da religião é justamente ela ser um pretexto muito bom para que tais atos se deem, sejam eles de natureza étnica, geográfica, política, sociais etc. E é um pretexto que goza de imunidade crítica e que é alheio à discussões abertas.

Edison disse...

Caro Rodrigo, a intolerancia no Brasil só esta camuflada. Pois o Brasil é o país politicamente e religiosamente mediocre e hipocrita, com politicas partidarias (Estado e Igreja) que manipulam e arquitetam suas ações para se perpetuarem no poder. Existem os conchavos, as trocas de favores, as pressões psicologicas entre outros nos quais as pessoas são eleitas para melhorar suas necessidades e não as do povo. Basicamente no Brasil todo sistema é corrupto de alguma forma, pois tendem a conservar o sistema vigente e manipulador para interesse próprio como necessidade basica de auto preservação. È um absurdo eu sei, mas é o que acontece. Duvida! Eu abandoei a politica por esse e muitos outros motivos.

Edison disse...

Caro Rodrigo, a intolerancia no Brasil só esta camuflada. Pois o Brasil é o país politicamente e religiosamente mediocre e hipocrita, com politicas partidarias (Estado e Igreja) que manipulam e arquitetam suas ações para se perpetuarem no poder. Existem os conchavos, as trocas de favores, as pressões psicologicas entre outros nos quais as pessoas são eleitas para melhorar suas necessidades e não as do povo. Basicamente no Brasil todo sistema é corrupto de alguma forma, pois tendem a conservar o sistema vigente e manipulador para interesse próprio como necessidade basica de auto preservação. È um absurdo eu sei, mas é o que acontece. Duvida! Eu abandoei a politica por esse e muitos outros motivos.

Born to be Wild disse...

Essa discussão é eterna (eu não). Poderíamos simplesmente optar por não criticar absolutamente nada.

Porém, o lado teísta sempre usa argumentos pouco admiráveis ao intelecto. Isso acaba nos incentivando a retrucar, mesmo sabendo que é em vão civilizar animais xucros.

De qualquer forma, o que vale aqui é o ato de incentivar a assumir a opção ateísta aos já elucidados.

Eu estou pronto! :)