17.10.09

Afinal, quem quer defender a razão o tempo todo?

Palavras do cardeal Antonio Maria Rouco Varela, da ICAR espanhola, sobre uma passeata de 1,5 milhão de pessoas neste sábado contra a lei do aborto.

"porque em determinados momentos da história a Igreja é defensora da razão e de coisas que deveriam ser evidentes".

Ah, e em outros momentos da história a razão pode ser alegremente queimada viva em praça pública e as coisas que deveriam ser evidentes são sumariamente censuradas e combatidas (para depois serem admitidas sob auspícios de "errei sim, e daí?") caso as mesmas se interponham com a visão (estreita) de mundo que a religião promove. Mais recentemente, já que não pode-se vencer um inimigo tão poderoso como a Evolução das Espécies através da seleção natural, agora tentam arranjar trégua pois sabem da fragilidade de sua posição.

O pior é que esse combate além de cego, pois é unilateral e calcado apenas em derivados da mitologia cristã, - não reduzem taxa de aborto, claro. Uma vez que uma mulher sem amparo que seja por acidente ou por violência carrega uma gravidez indesejada, recorre a métodos caseiros ou a terceiros que vão fazer fazer a intervenção abortiva sem segurança para a mesma. Uma radicalização dessa posição só tende a prejudicar as mulheres, principais vítimas desse abandono moral por uma ética alheia à realidae, ao tecido social que se vê cada dia mais impregnado de crianças que se não são rejeitadas antes de nascer, o são após, e de crianças com má formação congênita que deverão carregar sequelas pelo resto da vida, às vezes gravíssimas e mortais.

Só uma doutrinação em massa promovida à crianças pode explicar como mulheres podem abraçar uma causa religiosa. O bom-senso, se nao fosse tão fora de moda, seria suficiente forte para garantir a extinção de qualquer pensamento perigoso com os que habital subrepticiamente o discurso cristão/muçulmano/judeu/watever, disfarçado com a fala mansa de uma figura paternalista de um padre/pastor/rabino.

Se fosse colocar uma grana em um palpite, apostaria facilmente que bastariam três ou quatro gerações para idéias nocivas como essas que se misturam ao caldo cultural da maoria dos países começarem a se tornarem obsoletas, esquecidas ou apenas alegóricas como festas juninas, carnavais ou páscoa.

Um comentário:

Gizelli Sousa disse...

A igreja é sempre indulgente consigo mesma.